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Diretiva para o ano de 2020

Diretiva para o ano de 2020

Neste primeiro dia do ano estava buscando em Deus uma palavra diretiva para 2020, quando ecoou no meu interior a expressão “observe os lírios do campo”. Imediatamente me lembrei do trecho do Sermão do Monte e me debrucei sobre ele para estudá-lo.

E por que andais preocupados quanto ao que vestir? Observai como crescem os lírios do campo. Eles não trabalham nem tecem. Eu, contudo, vos asseguro que nem Salomão, em todo o esplendor de sua glória, vestiu-se como um deles. Então, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé? - Mt 6.28-30

Yeshua por diversas vezes usou analogias naturais para explicar princípios espirituais. E neste artigo destaco quatro pontos fundamentais que observei no texto - uma pergunta desconcertante; uma palavra de ordem; um atributo Divino; uma exortação para a vida - e que constituem, o que acredito ser, uma diretriz importante para os dias que virão.

 

A PERGUNTA: POR QUE ESTÁ PREOCUPADO COM ISTO?

A expressão andar preocupado é proveniente de μεριμναω (merimnao) que traz a ideia de alguém em estado de ansiedade por estar preocupado a respeito dos cuidados essenciais. Segundo o Apóstolo Tiago, estar agitado é o mesmo que ter uma mente dividida por causa de uma “fé com reservas”, que torna a pessoa inconstante em todos os seus caminhos (Tg 1.6-8). Andar preocupado então aponta um estilo de vida em permanente preocupação. É interessante observar que Yeshua está tratando exatamente sobre o contraste entre dois estilos de vida: dos pagãos e dos filhos de Deus. Mas o que esta necessidade física simboliza dentro de um panorama mais amplo das escrituras? O que Yeshua desejava corrigir na vida dos discípulos e qual é a grande questão que precisa ser alinhada em nossa vida neste ano de 2020?

 

A ORDEM: OBSERVE CUIDADOSAMENTE

A expressão καταμανθανω (katamanthano) traz a ideia de se examinar cuidadosamente o que se está vendo. Esta palavra deriva da raiz aprender ou crescer em conhecimento. A ordem era olhar o processo de crescimento dos lírios para aprender que Deus é a causa ativa do crescimento e discernir o que a beleza dos lírios representava.

O homem recebeu o mandato cultural de cultivar e guardar a terra a partir da relação de Aliança com Deus. Porém, após a queda um novo cenário surgiu por causa da separação que gerou morte. O cultivo da terra que antes era uma expressão de culto, se tornou uma questão de sobrevivência. Logo, o ambiente provedor do Éden precisou ser substituído por estruturas que o homem construi com o intuito de prover para si mesmo. Com isto, não era mais a relação com Deus que ditava o ritmo da vida do homem, mas a sua necessidade de sentir-se bem consigo mesmo vivendo longe de Deus. Além disso, os recursos que dentro do ambiente pactual eram abundantes, se tornaram limitados ao quanto o homem podia produzir por si mesmo. A partir daí, consumir e acumular se tornaram os verbos ativos na relação do homem com a terra.

Sem perceber, a sociedade moderna – consumista, rápida e estressante – alterou algo que deveria ser inviolável, o ritmo de construção de pensamentos, gerando consequências seríssimas para a saúde emocional, o prazer de viver, o desenvolvimento da inteligência, a criatividade e a sustentabilidade das relações sociais. Adoecemos coletivamente. Este é um grito de alerta. - Augusto Cury

A principal característica de alguém de pequena fé é a falta de compreensão sobre a abrangência da relação de amor pactual Deus, que provê o necessário para todas as áreas da nossa existência.

 

UM ATRIBUTO: A PROVIDÊNCIA DIVINA

Olhar os pássaros do céu nos ensina sobre a sustentabilidade da vida como resultado da Providência Divina. Observar os lírios do campo nos ensina que os processos de desenvolvimento também fazem parte desta mesma dinâmica. Por isso, aquilo que aparentemente trata sobre a necessidade do vestir, engloba o resgate do que foi perdido no Éden. Para cobrir sua vergonha Adão costurou uma roupa de folhas de figueira porque perdeu a dignidade e esplendor da imagem e semelhança de Deus. Desde então, o homem procura prover um caminho de aceitação diante de Deus a partir das capacidades que o próprio Deus concedeu ao homem. Mas Deus, antes da queda, já havia providenciado o caminho de reconciliação através do Filho, para que mediante a Sua justiça, o homem fosse reposicionado em sua relação com Deus.

Em outros trechos das escrituras encontramos pessoas sendo vestidas por roupas especiais por causa da posição que estavam sendo elevados. Assim foi com José no Egito, com Daniel na Babilônia e tantos outros. Porém em Ex 28.2 encontramos um registro importante que está implícito neste trecho sobre os lírios do campo. "Farás para Arão, teu irmão, vestimentas sagradas que lhe exaltem a dignidade e honra". A expressão כבוד (kabowd) utilizada para dignidade aponta para alguém que é honrado, que possui uma glória, de alguém que possui uma reputação, enquanto que o termo תפארה (tiph’arah) traduzido como honra traz a ideia de adornar, glorificar, embelezar alguém pela posição que ocupa.

As vestes de Salomão eram roupas que representavam sua riqueza, glória e reputação. Mas nos lírios encontramos a dignidade e esplendor que provém do próprio Deus. As roupas do Éden foram confeccionadas pelo próprio Deus para um homem que carregava sua imagem e semelhança, que como afirma Martyn Lloyd Jones, “não uma criatura do tempo, mas alguém pertencente a eternidade”. Deus vestiu Adão na criação com esplendor e a dignidade, e ordenou que Arão e seus filhos vestissem roupas que expressassem isso, porque as vestes estavam relacionadas a natureza que possuíam e a posição que estavam sendo elevados: sacerdotes do Deus Altíssimo.

Assim como o Eterno veste os lírios com beleza e esplendor, também veste aqueles que pertencem a Ele, porque ao serem comprados pelo sangue de Yeshua, foram elevados da posição de homens caídos para ministros governantes de Deus. Enquanto o homem natural mantém sua mente agitada pela necessidade de adquirir vestes para si, Yeshua nos ensina que na relação pactual de Deus, há um compromisso de provisão integral, que nos possibilita cumprirmos as obras que de antemão ele preparou para que andássemos sobre elas.

 

A EXORTAÇÃO: NUTRA UMA FÉ INTEGRATIVA

Yeshua chamou seus discípulos de homens de pequena fé porque ainda eram afetados pelas necessidades básicas da vida humana. A expressão “que neste novo ano Deus me dê paz e saúde, porque as outras coisas corro atrás” sempre estará nos lábios de pessoas que não compreendem que na relação com Deus não existe correr atrás, mas sim, andar sobre as Palavras que Deus disse. O homem natural é afetado pela ansiedade por causa da perda de sua capacidade de olhar as situações a sua volta a partir de uma visão naturalmente espiritual, que o possibilita descansar nos princípios que o próprio Deus estabeleceu. Por isso, precisamos perceber que todo o capítulo seis de Mateus trata sobre os pontos fundamentais da Aliança de Deus: provisão, proteção e posição. O ensino que se desencadeia a partir da abordagem de não se praticar atos de justiça para ter boa reputação, culmina com a exortação sobre andar ansioso por causa de uma fé particularmente limitada.

Todas as questões da vida tem uma resposta universal - emuná (fé). A emuná é como uma chave mestra para os dilemas da vida. Emuná é um termo hebraico biblico original para a crença firme em um único, supremo, onisciente, benevolente, espiritual, sobrenatural e onipotente Criador do universo. Ele sozinho cuida de cada um de nós de maneira única e personalizada, conforme nossas necessidades individuais. - Rabino Shalom Arush

Yeshua exorta seus discípulos a deixaram uma mentalidade de ansiedade pelo suprimento das necessidades básicas da vida, para ordenarem seus pensamentos a partir da busca pela realidade do Reino de Deus e sua justiça, para que na medida que andassem sobre o que foi dito, experimentassem o amor provedor de Deus.

“Não andeis ansiosos”; antes, exercei a fé; compreenda a verdade bíblica e aplique-a a todos os detalhes de sua vida. - Martyn Lloyd-Jones

A fé é o exercício diário de andar em fidelidade ao que Deus disse. Buscar o Reino e sua justiça é a nossa resposta prática ao “venha o teu reino na terra como é no céu”. Prover todas as coisas que são necessárias para nossa existência é um ato de amor de Deus que se estende sobre todos os que O amam acima de todas as coisas.

 

CONCLUSÃO

A vida é feita de escolhas. Por isso, podemos escolher viver ansiosos como homens comuns que empreendem para acumular riqueza para si, ou viver como homens empreendedores de pequena fé, que mesmo usando princípios e modelos bíblicos de negócios, vivem ansiosos tentando salvar a si mesmos e ao próximo através das estruturas que constróem, ou ainda, escolher viver como homens de fé que andam com Deus.

Acredito que “observar os lírios do campo” nos fará repensar sobre a nossa movimentação nos dias que virão. Deixar um estilo de vida baseado nas coisas que busco fazer a partir de mim para a glória a Deus, para observar no que Ele é glorificado é uma grande mudança de paradigma. Só há um meio pelo qual Deus é glorificado: O Filho (Jo 13.31; Jo 14.13), e isso significa que o Pai só será glorificado naquilo que estamos fazendo se tal ação for fruto da nossa relação com Ele (Jo 15.1-8).

Ocupar nossa mente com aquilo que é Eterno nos habilita a ver Deus agindo no que é natural. Não estou defendendo uma vida irresponsável que espera que os recursos caiam do céu, mas apontando uma fé produtiva que entende o trabalho como mandamento e enxerga o empreender como uma expressão de amor ao próximo e de compromisso com a criação. Na medida em que Cristo vive em nós, vivemos exclusivamente para a glória de Deus, cumprindo Sua vontade através de Yeshua, e assim, sendo encontrados pela Provisão Divina que nos torna abundantes em todos os âmbitos da vida. Assim como os lírios do campo são vestidos com dignidade e esplendor pelo Criador, nós como filhos de Deus, por intermédio de Yeshua, somos recriados e restaurados à imagem e semelhança de Deus Pai. Através de Yeshua a beleza, a dignidade e esplendor se manifestam no cotidiano da nossa vida, se estendendo sobre tudo o que estamos envolvidos para a glória de Deus, nosso Pai.

A partir de nossa casa e de nossa família de fé - Missão Mobilização - em Curitiba/Pr, abençoamos você e sua casa para que se tornem "observadores dos lírios do campo” e assim, sejam reconhecidos pelo próprio Deus como pessoas que andam em fé sobre a terra.


Neste mês de Jan/2020 iniciamos uma nova turma em nosso programa de mentoria para Empreendedores Cristãos, para conhecer a proposta acesse www.illumineconsultoria.com.br/theway 

REINO
Marcelo Souza
Marcelo Souza Seguir

Casado com Zélia e pai da Júlia. Atua na equipe pastoral da Missão Mobilização, é founder da Illumine, presidente da Acridas, mentor e conselheiro de empresários e mobilizador de redes de empresários cristãos em várias regiões do Brasil.

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